quinta-feira, 26 de julho de 2012

Já não vamos pela mesma estrada

Talvez a despedida não seja tão triste.

Talvez possamos estar juntos, dentro de nossos corações, que se amaram tanto.

Talvez vejamos nosso traço, quando desenharmos uma história feliz.

Neste momento de saudades, cheiros e, ainda, incertezas, sinto, como vc, um tanto de decepções que nos causamos.

Ficam todas as risadas, gostos e horas a fio de se saber o que é ter um amor.

Agora, irei em busca de entender este sentimento.

Vou refazer o caminho por onde me deixei perder.

Vou perceber todos os nossos cantos e, de longe, nos ver.

Se tudo der certo, dia desses, minha sala, pronta, espera por quem irá buscar me ver.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Meus pequenos sonhos...

Quando era menino, cantava com meu pai, dentro do carro, a música do tambor... Viajávamos juntos e aquela música marcava minha relação com o velho e o caminho pra Macaúbas.

Depois, na descoberta da mudança pra capital, onde deixava minha querida Itacambira, "O Menino da Porteira" viajou comigo e fez cançao em mim, já em BH.

A música, por mais que não me importasse com a essencialidade de minha relação para com ela, veio marcando todas as etapas de minha vida.

Já na adolescência, Legião e todas as músicas que representavam aquela fase de dúvidas e de emoções tão à flor da pele...

Um dia, debaixo de um pé de amora, eu e a loirinha de minha vida, deixávamos um "depois de um dia chuvoso" lavar-nos a alma.

Todos os dias em que via uma roda de violão, aquela vontade de saber cantar.

E fui, finalmente, atrás. E encontrei alguém que pôde me ensinar.

Ensaiar, aprender, desistir, tentar de novo, ter de esforçar-me, ter a coragem pro palco, pra apresentação, tremer, gostar, sorrir, entender que fui capaz de desafiar-me e conseguir.

Saí daquele palco mudado, alegre, integrado, sabendo que meus pequenos sonhos encontraram-se comigo, assim que fui capaz de olhar pra eles, deixar meu coração disparar e dar-lhes as mãos.

Meus pequenos sonhos estarão comigo de agora em diante, atiçando-me o medo, mas tendo coragem pra esperar o amanhã.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Meu pé de pinha e uma sombra

No quintal de minha casa tem um pé de pinha. Ali descansam meus olhos em fins de tarde desde a muitas estações. Debaixo de sua sombra acompanha-me uma outra sombra. Ela chama-se solidão.

E ela me viu de lado, enroscou-se em meus sentidos e deixou sua avassaladora onda. Olhou por mim e viu uma revolução de amigos, tocou minha procura por mais reciprocidade, respondeu-me sim e nos acolhemos. Olho-a e trocamos ideias, mas as respostas ja dadas não me satisfazem.

Vela por mim meu pé de pinha e o agradeço em vontades. Quero enxergar com vistas molhadas seu verde tão vivo provocado pela chuva, quero estar bem e só, a seu lado, e não mais vê-lo cinza, embriagado. Assim vou e pronto. Vejo, contudo - surpreso e alegre- o vento tocar suas folhas e fazer flutuar música por mim. Aceito seu cheiro inundar-me em recordação e sabores e sorrio, sorrio sempre...

E, nesse momento, ela aparece-me de novo. Ouvi-a chamar pra perto e nos abraçamos. Deixamos que as grossas gotas d'água bata em nossos ombros e mostre como já nos realizamos juntos, do quanto já esperei poder explicar minhas fantasias e só ela a ouvir.

E é desse jeito que me encontro hoje. Só e feliz muitas vezes, só e triste em outras tantas. Mas não sou, sem dúvida, a mesma pessoa que observava as pinhas caírem e que ruía seus caroços apaixonado. Agora, desço desse cavalo selado e ando lado a lado com meus pensamentos.

Vou à procura e ainda descanso debaixo de meu pé de pinha.

Ela, meus caros, não é apenas solidão, mas mudança.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Sobre a notícia do fim provisório de uma guerra muito particular, tipo assim foi mal meu caro, ser que me anima:

não sobrou de ontem
nem pó
nem dó de mim

o tempo varreu
para fora isto agora:
peso, pesar do meu esmazelo

nem me dei um beijo no coração
fiz oração
ou li auto-ajuda

quebrei o corpo
que sorri pra mim
no espelho

mas quem de si
no front da fronte
nunca se bateu um dia?

perdão, meu Velho Eu
em que Narcíso
nunca se veria.

Haroldo Lourenço
 
 

sábado, 1 de outubro de 2011

Lá vem o vento

Meus sentimentos invadem-me em solidão.

Procuro um pouso tranquilo, mas minhas asas não me levam além de minhas próprias questões. Admito as mudanças, busco-as, mas pareço retroceder ao momento da decolagem.

Ainda em mim, lembro-me dos voos instrutivos de Fernão Capelo, mas não consigo sentir só o vento e simplesmente aplainar. De todo jeito volto e sobrevoo os espaços mais contidos da fazenda, dos meus, dos velhos, de tudo aquilo que me formou.

Em parábolas gráficas, subo e volto, mas sempre em frente, à procura. Embriago-me, deixo a busca que me toca levar a idéia à pena.

Numa cidade de tantos, com quantos ainda ainda compartilharei as doçuras e agruras de apenas me deixar levar?

Sinto só o espectro do "tanto sentimento" do Pessoa e observo o espelho do mar no céu, mas não me sinto princípe. Serão justamente as coisas findas e lindas de Drumond, ou apenas um "Claro Enigma"? "Alea jacta est" ou "pacta sunt servanda", qual a senha pra descoberta da rota?

Deleito-me na cidade fantástica de Macondo, mas, já sério, duvido da existência do gelo. Vou por aí, em asas de liberdade fictícia, mas que deixa meu voo triste e, mais uma vez, solo.

Procuro por pés-de-laranja-lima, mas aquela amizade não me responde mais. E assim no alto da montanha, numa casa bem estranha, procuro explicações.

Sou - e sinto-me assim- o único personagem de minha existência que me pode responder. É duro, meu caro, o plano de voo, sem que se saiba o destino certo e o local de pouso.

Mas não se engane, o sol me toca profundamente, as rajadas de vento me passam por todo o corpo, o espírito não me fecha as portas. Partido, fragmentado, mas forte, bato ainda mais as asas, sinto ainda mais a vontade da descoberta.

E se me vou é porque ainda não encontrei pássaros que trocassem presentes sem presença, é porque sou resistente e levo-me às minhas próprias buscas.

Ainda encontro companheiros que, no alto, irão comigo perpassar cahcoeiras, deixar a água nos molhar e simplesmente sorrir. Viajantes de mundos diferentes, amorais, capazes de definir rotas.

Enquanto isso, meus sentimentos invadem-me e, por muitas vezes, só cerra fileiras comigo a pena.

Mas, olhe lá... Evem o vento...

Não somo só, queridos, aquilo que nossos olhos tocam.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Cruzeirão 2011

Campanha horrível em 2011.

Vejamos, pois, quais os problemas, a saber:

Ataque: Perda de três atletas de velocidade, dois por venda, TR e Dudu, e um por contusão, Walisson.

Meio: Queda de rendimento de Roger, "falastrismo" do Gilberto, que desestabiliza o time, venda do Henrique e constantes mudanças em função de contusões, suspensões. Além disso, falta de peças à altura pra reposição.

Defesa: Venda do Gil, que não era craque, mas que vinha acertando a defesa, uma das menos vazadas até essa sequência sofrível...

Diretoria: Após anos de programação nas contratações, o clube vendeu na hora errada e não repôs. O Zezé conseguiu muitos títulos pelo Cruzeiro, tem, em geral, um saldo bem positivo, mas também vive de resultados, é a hora mesmo da saída. Espero que a oposição ganhe (Mas, PELAMORDEDEUS, desiste da chapa Vibrante, que vc não entende disso).

Técnico: O Joel, não é técnico de ponta, mas tem mais experiência e capacidade pra enfrentar essa situação. Sua queda deve ter se devido a algum problema interno.

Deste conjun to de fatores, a atual crise. Não é hora,entretanto, de ficar só na corneta.

O futebol, ÚNICO ESPORTE NO PLANETA PRATICADO QUASE EM SUA TOTALIDADE COM OS PÉS, daí sua dificuldade e imprevisão nos resultados, não se esclarece com apenas um ponto de vista.

Simbora Cruzeirão!

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Feriado Grande

Engraçado como feriado GRANDE
é pequeno, não cabe dentro
de uma ampulheta que simula
sequer alguns minutos.

Grande
é a expectativa por vivê-lo.
E no durante, ali no meio
de período, entre um gole
e outro de cerveja, à beirada
da piscina, de barriga para
o ar, descobre-se que ele
se vai silenciosamente entre
os dedos, como um fluído
que as datas em vermelho nas folhinhas
não conseguem apreender:
 
São meras indicações do alívio
que cessará quando menos
esperamos. O feriado grande
infelizmente não nos emendou
à utopia da felicidade,
todavia, com certeza, tentamos,
com certeza não foi em vão.

Pelo menos descansamos a
expectativa, a angústia da espera
pelo gozo que eternize
a sensação de vento no rosto
com janela de carro aberta,
a sensação de bar, de piscina,
de campo, a sensação imensurável
de alheamento da guerra
da vida contra o dia útil.

Haroldo Lourenço

Minha casa e meus sonhos

 Hoje olhei pras paredes de minha casa. Pensei na melhora, gostei do que fiz. Fiz da parede meu retrato e da lembrança minha busca. Sorri ao...