Nos teus braços e abraços,
Na falta que dói, constrói,
E insiste em estar aqui.
Em dizer que existe.
No dia que passou,
Cercou, mudou, motivou,
E na vida que apareceu
Vocês e eu.
Pra agora, pro dia do adeus,
Vocês e eu.
Somos a história da vida de um,
Em três, vocês e eu.
E, agora, lé me vou.
Marcado, amado, em teus laços.
E, agora, lá me vou,
Sinto seus braços, passos, cansaços.
E, agora, lé me vou.
Um, de uma vida de três.
De Kafunga a Kfouri, análises sobre futebol! De Caminha a Lula, o que achamos sobre política. Poesias e comportamento humano.
quarta-feira, 29 de outubro de 2014
quarta-feira, 9 de julho de 2014
Copas versus Eleições
Depois do desastre de ontem, já pipocam os comentários:
- Ainda bem que não ganhou. O povo ficaria feliz, sem perceber as mazelas do país.
Ora, não concordei em momento nenhum com isso e tentei me lembrar das copas e das eleicões no Brasil e me vieram algumas coisas à cabeça.
Pra começar, fomos campeões em 1958 e 1962. Assim, o povo deveria estar feliz com o país, especialmente com o João Goulart, depois de 62, mas não foi isso que se viu. Houve um golpe militar dado pela elite brasileira (e governo estadunidense como já mostrado em documentos), mas apoiado pelo povo, pelo menos foi isso que me lembro de ter lido.
Em 1994 fomos campeões e o resultado das eleições confirmou o candidato da situação, FHC, como presidente. Em 1998 perdemos a Copa, mas decidiu-se que a situação, BHC (Sic!), seria mantido no poder. Já em 2002 tornamos a ganhar, mas o presidente eleito foi da oposição, Lula.
Não há relação, a meu ver, de uma coisa com a outra, pelo menos nos exemplos citados.
Há sim a tentativa de usar, intencionalmente, esta derrota acachapante em prol da oposição.
A história mostra que as coisas não se relacionam.
O placar do jogo
Está lá, pronto, determinado, histórico, inesquecível, acachapante. Está lá e me dói as veias e braços, entra por dentro de mim como se perfurasse cada canto meu. Foi ofender minhas fantasias, sonhos, foi deixar-me no limbo, sozinho, mais uma vez.
Há tempos que pensei não mais capaz de passar por isso, mas aconteceu. Arregalam-se meus olhos, baque duro em meu peito. Por quê? Por quê? Pergunta a turba ensandecida. Não merecíamos, não podíamos, não é possível!
Mas está lá e lembraremos pra sempre. Nunca mais se repetirá, nem a nosso favor. Está lá, escrito e doído, forte e humilhante. Foi escrito por nossos medos, nossa parte que teme, nossa parte que não queria. Mas, também, foi escrito por nossa parte bem sucedida, por quem nos espelhamos, esportivamente falando.
Explicações não faltarão, abutres não faltarão, bem intencionados não faltarão.
Mas está lá, escrito, irremediavelmente escrito. Está lá e não me esquecerei.
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
O tempo
O tempo é áspero e nos puxa,
O tempo nos lembra, nos mostra.
O tempo é futuro e alcança, e chora e ri,
O tempo galopa.
O tempo se foi e nada deixou.
O tempo ainda que chegue nada ficou.
O tempo é uma dia.
O tempo te toma.
O tempo brincou e rodou e se foi a girar.
Deixou no agora a esperança de vê-lo.
Um dia o tempo chega.
O tempo ignora.
Ah, o tempo... o tempo é severo.
Ah, aqueles tempos em que ainda dava tempo.
O tempo veio.
sexta-feira, 30 de agosto de 2013
De tudo um pouco
Ouro, diamante e prazer. Roupa, sonho e bem-querer. Casa, coração e tensão. Corpo, força e liberdade. Estudo, tristeza e superação. Trabalho, objetivo e indignação. Política, aprendizado e não sujeição. Mentira, adversidade e troco. Serra, caminhada e força. Água, ação e família. Tropa, estrada e união. Gado, medo e orgulho. Mãe, amor e saudade. Pai, força e falta. Eu, dúvida e certeza. Família, quero e saio. De tudo, nada e sempre. Pra frente, tudo e vitória
sexta-feira, 23 de agosto de 2013
Minha infância e Itacambira
Ainda aos 6 anos saí de lá. Mandaram-me pra capital, sem dizer um adeus verdadeiro, sem dar tempo pras despedidas, sem ainda saber que faria tanta falta. Recebi a notícia, assim, de repente, como se nada fosse mudar, mas mudou tudo.
Até dia desses ainda estive por lá. Pra sempre vi os palhaços descendo as ruas, os buracos gigantes onde brincávamos, as pedras da subida da serra que eu via no quintal de casa. Emburrei na saída e estanquei, como se pudesse ver o tempo voltar. Fiz represa em minha vida e me fui, doendo demais a falta que fazia.
Minha cidade menino brota água nos meus olhos, fala das despedidas, ensina-me o que buscar. Vê meus amigos que lá deixei, minha escola querida e deixa um sabor bem longe, mas que ainda faz céu em minha vida.
Itacambira confunde-se com minha infância, com meus amores, com minhas escolhas. Minha pequena cidade deixou-me suas marcas, mantidas por minha mãe que também as passou: gostar de literatura, achar o máximo que se estude muito, levar uma vida de família meio Cem Anos de Solidão, mudar o coração ao passar pela Plantar.
sábado, 20 de abril de 2013
Liberdade religiosa e
Estado Democrático de Direito
Depois
de toda essa balbúrdia sobre o Deputado homofóbico e racista elencado à
condição de presidente da Comissão de Direitos humanos da Câmara dos Deputados,
fiquei realmente estupefato, como se pudese ainda duvidar das agruras deste
nosso país. Mas eu confio que possamos melhorar! Ora, se a Constituição dá
garantias para responsabilização dos achinques que a pessoa possa sofrer, mesmo
que garantias formais, já se pode ter esperanças.
Vamos
às tais garantias:
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união
indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em
Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:
III - a dignidade da pessoa humana;
Assim,
por óbvio, a pessoa humana tem de ser tratada dignimente. Então se você não é
pessoa jurídica (conquanto se saiba que esta também tem direitos), deve ser
respeitado, sendo hetero, homo, trans, ou o que seja sexual. Também deve ser
repeitado se for azul, amarelo, preto, branco, refletir ou refratar a luz. É
Homo Sapiens sapiens, deverá ter sua digidade respeitada.
Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa
do Brasil:
IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça,
sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.
Você
pode ter as convicções que quiser, o que não pode é tratar os outros de forma
diferenciada, tratando-as mal por algo que você não goste.
Tal
garantia vale para a escolha sexual, assim já tendo decidido o STF: Proibição
de discriminação das pessoas em razão do sexo, seja no plano da dicotomia
homem/mulher (gênero), seja no plano da orientação sexual de cada qual deles ((ADI
4.277 e ADPF
132).
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer
natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a
inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à
propriedade, nos termos seguintes:
VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo
assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da
lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;
Vcê é adorador de qualquer deus ou quaisquer deuses? Você não
acredita em nada que seja religioso e em nenhuma criatura divina? Você é super
religioso, embasando todos os aspectos de sua vida em suas convicções
confessionais? Você é de tudo um pouco do que foi dito anteriormente,
como eu? Pois é, você pode assim agir e ninguém pode tratar-lhe mal por isso.
E se é garantida a liberdade religiosa, ninguém tem o direito de
achar que você está errado por professar qualquer religião. Faça suas escolhas
e permita que os demais façam as delas, mesmo que os dogmas de sua escolha
falem o contrário. O Estado brasileiro é laico, o que quer dizer que todas as
decisões do Estado devem ser tomadas com base na racionalidade, na busca do bem
comum, e não em escolhas determinadas por igrejas.
Art. 60, § 4º - Não será objeto de deliberação a proposta de emenda
tendente a abolir:
IV - os direitos e garantias individuais.
Já
ouviu falar de cláusulas pétreas da Constituição? Pois é, uma delas está acima.
A Constituição não pode ser alterada para restringir os direitos individuais
garantidos. E todos os direitos (Dignidade da pessoa humana, não discriminação
e liberdade de crença) acima são garantias individuais. Assim, o Estado
brasileiro não poderá alterar esses direitos (Por isso, são pétreas, fortes,
não podem ser mudadas).
Então,
fique sabendo este deputado que tenta passar no Senado a Emenda Constitucional
pra que o Brasil se declare Cristão, que se trata de um projeto
inconstitucional. Se o Congresso aprovar, o STF derruba!
Considerações
Finais:
Acredito
que essa tentativa de confessionar o Estado Brasileiro, retirando dele a
possibilidade de tomar decisões com base em escolhas racionais, éticas, etc, é
um atraso absurdo. Atraso este que o Deputado citado no início representa. É só
olhar para alguns Estados árabes que são declaradamente mulçumanos e o Estado
de Israel. Vive-se a ditadura da norma religiosa. E essa discussão, caríssimos,
se deu no ocidente ainda no século XV.
No
fundo, acho que as igrejas evangélicas e o catolicismo, dominantes no Brasil,
são formados por pessoas que não concordam com o referido congressista. Entretanto,
enquanto sobrevier esta ideia de que o Estado deve sobrestar às suas decisões
escolhas de fé estaremos caranguejeando.
É
um momento perigoso, a meu ver. Saúdo, entretanto, o Estado brasileiro por, democraticamente,
ter nos permitido que tivéssemos essa discussão.
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