Há muitos anos atrás, eu levava mãe à rodoviária. Eram sacolas pesadas e íamos de ônibus. Ela sempre viajava pegando o ônibus de 23:45 pra Bocaiúva. Sempre ia com um pouco de medo, mas também orgulho por poder ajudá-la.
Descia as escadas da rodoviária de BH e ela ia pro ônibus. Sua energia sempre era muito alta nesses momentos. Ela entrava e eu sempre ansioso por vê-la pela janela, pelo último tchau, até a volta, Deus te abençoe, que ela mandava.
Saía dali e já ia com medo pegar no antigo 1202 na Curitiba com Guaicurus. Às vezes, o ônibus passava só lá pelas 2:30. Passavam muitas coisas pela minha cabeça, no ponto, sozinho, com uma ou outra pessoa junto, mas que pegavam, cada qual, sua própria linha.
Não tenho muita lembrança desse retorno pra minha casa, só da satisfação de ver que meu ônibus chegara e que não precisava mais ficar ali, com medo de roubo, violência, etc.
Acho que todos nós lá em casa passávamos por isso, em alguma medida. Minha mãe, já professora aposentada ia sacolar no interior, pra pagar o clube Jaraguá, o cursinho meu e de meus irmãos, as contas, os passeios, pra dar as roupas e colocar a comida em nossas latas.
Acho que tive a oportunidade de dizê-la - e o fiz enquanto pude - que eu tinha tanto orgulho de sua garra, de sua força e alegria internas. Quando ela voltava e chegava naqueles ônibus, seu sorriso enchia minha vida de tal maneira, que passei muitos anos buscando a energia só pra mim, até crescer e ver que havia pra todos.
Tive muitos anos de depressão e falta de força, mesmo enquanto ela ainda podia ser vista por aí indo e vindo. Hoje, muitas vezes ainda parado naquele ponto de ônibus, de madrugada, sinto a força de um menino que pôde ajudar um pouco um dos amores de minha vida. Este que sou hoje se orgulha de ser quem é, conquanto ainda busque tanto por aí. Obrigado mão por me dar sacolas pra carrregar e irrigar minha vida de amor e cuidado.
De Kafunga a Kfouri, análises sobre futebol! De Caminha a Lula, o que achamos sobre política. Poesias e comportamento humano.
terça-feira, 21 de abril de 2020
terça-feira, 22 de dezembro de 2015
Ética e direitos fundamentais no tempo: Breves comentários
No texto abaixo, discorre-se sobre o comportamento de um prestigiado diretor da Universidade de Princeton, do início do século XX.
Mostra-se que o diretor foi defensor de políticas segregacionistas.
Contra tal postura, um grupo dessa mesma universidade, a Liga da Justiça Negra, pede que o nome do diretor seja tirado de alguns locais da faculdade.
No fim da reportagem, e é sobre isso que escrevo, fala-se sobre " Uma petição que circulou no site Change.org e chamou a proposta de “precedente perigoso” para futuros estudantes que “desejem expurgar o passado daqueles que não acompanharam os padrões modernos de moralidade”.
Ora, o que são padrões modernos de moralidade contrastados com padrões antigos de moralidade e em que medida podemos pedir a revisão do passado?
Entendo que há um comportamento ético universal e atemporal, que é a exigência de não se impingir ao outro algum tipo de sofrimento, físico ou psíquico. Tal avaliação deve ser feita pelos próprios componentes da sociedade investigada. Assim, não podem os ocidentais avaliar se há sofrimento nas práticas de determinado país oriental. Quem faz parte do corpo social é quem deve avaliar se há ou não respeito à dignidade humana.
Ora, pessoas serem obrigadas a frequentarem alguns locais e não frequentarem outros, sofrendo opressão apenas por serem de determinada cor traz sofrimento ao indivíduo, ofende sua dignidade e isso foi provado em diversos filmes e livros de quem viveu naquela época.
Assim, não há um precedente perigoso, mas uma revisão correta e digna da história, colocando um detrator de direitos como deve ser tratado, ou seja, como alguém que não merece ter seu nome lembrado em prédio algum.
Países, como o Brasil, já passam por isso e, mesmo em BH, já vemos tais bons ventos aparecerem, quando mudou-se, por exemplo, o nome do Elevado Castelo Branco, ditador brasileiro, pelo nome de Dona Helena Greco, primeira vereadora eleita em BH e lutadora contra a ditadura militar.
quarta-feira, 14 de outubro de 2015
Confesso
Confesso que ajo pra encobrir meus medos.
São tantos os caminhos dentro de mim e tenho procurado apenas aqueles que me defendem dos desafios.
Talvez este texto mesmo seja mais uma defesa.
Mas, fazer o quê? Ainda serei (no sentido de existir) mesmo que encobrindo tudo.
De repente, quem sabe, deixo tudo cair, paro de tentar enganar a mim e aos outros e sigo.
Que eu não desista frente aos medos e a solidão desse caminho.
Que eu aprove o ruir de mim mesmo.
"Longe se vai
Sonhando demais
Mas onde se chega assim
Vou descobrir
O que me faz sentir
Eu, caçador de mim".
sexta-feira, 19 de junho de 2015
Pra você saber de nós no começo
Os meus olhos viram os seus e o amor não veio. Veja bem, minha linda, não veio assim, de repente... Chegou. Mas de mansinho, ocupou-me por lados, depois foi que cercou-me inteiro.
Meu coração de melão se enche de alegria com seus risinhos, seus olhos tão vivos, inspiradores, de tanta verdade. Amo sua barriguinha onde faço "brum" e posso, enfim, brincar, sem achar que não posso.
Na minha festinha, Helena, você pôs os balões que dão cores ao meu sorriso e alegram a chegada de meus amigos e família.
Meus olhos parecem serenar ao lembrar de você, e, apesar de estarmos parte do dia longes, suas fotos são vistas e revistas e vou até aí e te beijo. Não estou mais sozinho, mesmo que fisicamente esteja.
Só pra você saber, minha filhinha, como comecei com você...
Meu coração de melão se enche de alegria com seus risinhos, seus olhos tão vivos, inspiradores, de tanta verdade. Amo sua barriguinha onde faço "brum" e posso, enfim, brincar, sem achar que não posso.
Na minha festinha, Helena, você pôs os balões que dão cores ao meu sorriso e alegram a chegada de meus amigos e família.
Meus olhos parecem serenar ao lembrar de você, e, apesar de estarmos parte do dia longes, suas fotos são vistas e revistas e vou até aí e te beijo. Não estou mais sozinho, mesmo que fisicamente esteja.
Só pra você saber, minha filhinha, como comecei com você...
sábado, 31 de janeiro de 2015
Do verbo estrumbicar
Eu estou aqui escrevendo pra discordar dos absurdos dessa classe que se acha burguesa no Brasil. Deixo claro. Está claro? Então vamos lá!
As pessoas não tem mais a ver como que acontecer com o Brasil porque não votaram na Dilma? Uma imbecilidade do tamanho do Maraca (Se bem que a constante concordância brasileira com os fins do capital e não das pessoas diminuiu o Maraca pela metade), ou melhor, da floresta tropical brasileira (Enquanto ela ainda existe).
Explico. Os pseudo-burgueses brasileiros perseguem como uma meta religiosa a iluminação através da americanização do Brasil. Só que eles querem que sejamos como eles, sem sermos como eles. Ora, você imagina um estadunidense abandonando seu país porque o governo não lhe é favorável? Eles preferem estar errados a agir contra seu país.
Aqui não. Aqui vale é o seguinte, com o perdão da má palavra, fo-da-se! Não votei nela mesmo, quero mais é que se estrumbiquem mesmo. E se, pra que, com a ajuda de Deus, estrumbiquemos todos nós, for necessário uma verdadeira cruzada contra o atual governo, com a criação de um estado de perigo e vulnerabilidade, levando o medo a todas as pessoas, que que tem? Estrumbecá-lo-emos!
Eu estrumbico, vós estrumbicais, Jornal nacional estrumbicamos nós!!!
É de uma idiotice sem fim.
E, por falar em idiotice, psiu!!!
Psiu!!!
É, você mesmo!
É, você que tá lendo isso aí!
Burguês, amiguinho, é aquele que detém a propriedade dos meios de produção e do capital, trouxa! Pare de defendê-lo. Ele não joga no seu time. A lógica dele é acumule, acumule, acumule. E não distribua, distribua, distribua!!!!
Então, evolua, entenda o sistema. Aqui vai uma dica. Assista se preferir depois dos 40 minutos:
O que mais me torra o saco é ver um assalariado, mal remunerado, ficar dando uma que entende de economia. nem os estudiosos entendem dessa porra! Parece que foi feito pra ninguém entender mesmo... a não ser que isso seja de propósito. Será que é?
E você quer saber por que a guinada mais à direita de algumas medidas da Dilma? Quer mesmo? Por que esses caras são fodões, eles dominam todo o mercado. Chega uma hora em que se tem de abaixar um pouco a guarda. Eles são os donos de tudo!
Pra ver como poucos dominam e influem em tudo:
Não sei se será o melhor mesmo a Dilma neste segundo mandato, mas mesmo que fosse o Aécio, estaria torcendo pra que o país crescesse e que ele não ficasse apenas atendendo o mercado e fizesse como o Lula e a Dilma fazem, tentam atender a nós e ao mercado, dentro do possível.
Tá aí americanoszinhos, estrumbiqueiros deste nosso país.
Vai pra Suécia, ou melhor, não vai, lá tem programas sociais e a corrupção já passou por esta fase de limpeza que vivemos hoje. Vai pra Argentina, talvez lá você não se sinta em casa e eles te expliquem tudo!
sexta-feira, 31 de outubro de 2014
"Brain storm" eleições presidenciais 2014
Fico até agora estarrecido com a campanha destas eleições. Não se trata de defender seus pontos de vista mais, mas de ser julgado por eles, como se vivêssemos em um país de possibilidades apenas unilaterais. Em BH ainda mais. Há uma certa corrente no ar que aceita apenas uma forma de se pensar, que se diz conhecedora dos bens e males do mundo. E, a meu ver, não aceita, definitivamente não aceita, que haja mudança nos quadros, cargos, lugares, ocupados historicamente.
- Dos que falam em mudança, mas não querem mudança:
Incrível a guinada do PSDB à direita. Temas como redução da maioridade penal, da não aceitação dos temas GLBT's, da análise do mercado como único fator de melhoria da sociedade (Como se o mercado quisesse o bem estar das pessoas e não o lucro). Talvez, de forma infantilizada, os tucanos queiram apenas guerrear com os petistas, nada mais. Assim, estando o PT mais à esquerda, não os restou saída a não ser o deslocamento. Tratou-se, entretanto, não de um deslocamento, mas um giro daquele partido. Hoje, o PSDB é o DEM, que era o PFL, que era a ARENA. Talvez por isso o candidato derrotado tenha chamado o golpe militar de 1964 de "revolução". Não conheço, sinceramente, a história do avô do dito, mas considero que foi uma punhalada na história de seu parente falecido, uma vez que Tancredo foi muito marcante na campanha das "Diretas Já".
Mudança pra quem, me pergunto. Tento perceber, por vários meios, além de dados estatísticos (como ver o mundo através de meus olhos, que tentam sentir as coisas do mundo) se houve piora nas condições de vida pra quem já era abastado. Não me parece que isso tenha acontecido. Afinal, o que explica, então, a ferocidade da elite belorizontina contra quem escolheu o 13 nestas eleições? Entendo que uma coisa basicamente: Não é fácil aceitar que há mudanças e que os grupos sociais de antes estão sendo ocupados também por quem nunca esteve por lá. Parece-me meio "Casa Grande e Senzala" mesmo. Quem é ou se identifica com a Casa Grande não aceita que a Senzala mude de lugar, mesmo que muito pouco. Somos ainda uma sociedade muito preconceituosa. E o que é o preconceito além de sentimentos que não entende mudanças, que não aceita o outro com suas próprias verdades?
- Marina Silva:
Dois foram os motivos por não votar em Marina. Creio que a candidata seja meio fundamentalista religiosa. Afinal, mudar sua opinião porque um Malafaia mandou? Sinceramente. Malafaia? Esse cara, pra mim, representa o que há de pior nos neopentecostais: conservadorismo absoluto na análise dos costumes e não aceitação do diferente. Quem alia-se a Malafaia, definitivamente, não tem meu voto.
Outra questão é a independência do Banco Central. Não concordo. Questões de Estado são questões de Estado e não acho que uma visão de mercado vá buscar fins de Estado. Não vão. Importante trabalhar com a iniciativa privada, mas o Estado realiza o bem comum, nem sempre partilhado pelo mercado.
Por fim, aliar-se aos tucanos, Marina? Você acha mesmo que escolheu o lado certo? Por mais que tenha raiva do PT e das pessoas com quem conviveu quando era ministra, há um erro estratégico aí. Seus eleitores queriam estar ao lado do 45? Seus eleitores queriam a nova política, seu maior slogan. Talvez não haja mais recuperação.
- Os caminhos do PT:
Há que ser revista a forma de alianças. Entendo que o PT tenha se aliado à velha estrutura política pra implementar projetos de esquerda. Mas tudo tem um limite. Não há mais espaço pra aguentar o fisiologismo dos partidos da situação. E, se não mudar, as chances se acabarão.
A oposição será ferrenha. A manutenção do "status quo" mostrará suas garras. É hora de mudar o rumo do apoio, pra que o apoio não mude nosso próprio rumo.
quarta-feira, 29 de outubro de 2014
E, agora, me vou...
Nos teus braços e abraços,
Na falta que dói, constrói,
E insiste em estar aqui.
Em dizer que existe.
No dia que passou,
Cercou, mudou, motivou,
E na vida que apareceu
Vocês e eu.
Pra agora, pro dia do adeus,
Vocês e eu.
Somos a história da vida de um,
Em três, vocês e eu.
E, agora, lé me vou.
Marcado, amado, em teus laços.
E, agora, lá me vou,
Sinto seus braços, passos, cansaços.
E, agora, lé me vou.
Um, de uma vida de três.
Na falta que dói, constrói,
E insiste em estar aqui.
Em dizer que existe.
No dia que passou,
Cercou, mudou, motivou,
E na vida que apareceu
Vocês e eu.
Pra agora, pro dia do adeus,
Vocês e eu.
Somos a história da vida de um,
Em três, vocês e eu.
E, agora, lé me vou.
Marcado, amado, em teus laços.
E, agora, lá me vou,
Sinto seus braços, passos, cansaços.
E, agora, lé me vou.
Um, de uma vida de três.
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