Ouro, diamante e prazer. Roupa, sonho e bem-querer. Casa, coração e tensão. Corpo, força e liberdade. Estudo, tristeza e superação. Trabalho, objetivo e indignação. Política, aprendizado e não sujeição. Mentira, adversidade e troco. Serra, caminhada e força. Água, ação e família. Tropa, estrada e união. Gado, medo e orgulho. Mãe, amor e saudade. Pai, força e falta. Eu, dúvida e certeza. Família, quero e saio. De tudo, nada e sempre. Pra frente, tudo e vitória
De Kafunga a Kfouri, análises sobre futebol! De Caminha a Lula, o que achamos sobre política. Poesias e comportamento humano.
sexta-feira, 30 de agosto de 2013
sexta-feira, 23 de agosto de 2013
Minha infância e Itacambira
Ainda aos 6 anos saí de lá. Mandaram-me pra capital, sem dizer um adeus verdadeiro, sem dar tempo pras despedidas, sem ainda saber que faria tanta falta. Recebi a notícia, assim, de repente, como se nada fosse mudar, mas mudou tudo.
Até dia desses ainda estive por lá. Pra sempre vi os palhaços descendo as ruas, os buracos gigantes onde brincávamos, as pedras da subida da serra que eu via no quintal de casa. Emburrei na saída e estanquei, como se pudesse ver o tempo voltar. Fiz represa em minha vida e me fui, doendo demais a falta que fazia.
Minha cidade menino brota água nos meus olhos, fala das despedidas, ensina-me o que buscar. Vê meus amigos que lá deixei, minha escola querida e deixa um sabor bem longe, mas que ainda faz céu em minha vida.
Itacambira confunde-se com minha infância, com meus amores, com minhas escolhas. Minha pequena cidade deixou-me suas marcas, mantidas por minha mãe que também as passou: gostar de literatura, achar o máximo que se estude muito, levar uma vida de família meio Cem Anos de Solidão, mudar o coração ao passar pela Plantar.
sábado, 20 de abril de 2013
Liberdade religiosa e
Estado Democrático de Direito
Depois
de toda essa balbúrdia sobre o Deputado homofóbico e racista elencado à
condição de presidente da Comissão de Direitos humanos da Câmara dos Deputados,
fiquei realmente estupefato, como se pudese ainda duvidar das agruras deste
nosso país. Mas eu confio que possamos melhorar! Ora, se a Constituição dá
garantias para responsabilização dos achinques que a pessoa possa sofrer, mesmo
que garantias formais, já se pode ter esperanças.
Vamos
às tais garantias:
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união
indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em
Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:
III - a dignidade da pessoa humana;
Assim,
por óbvio, a pessoa humana tem de ser tratada dignimente. Então se você não é
pessoa jurídica (conquanto se saiba que esta também tem direitos), deve ser
respeitado, sendo hetero, homo, trans, ou o que seja sexual. Também deve ser
repeitado se for azul, amarelo, preto, branco, refletir ou refratar a luz. É
Homo Sapiens sapiens, deverá ter sua digidade respeitada.
Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa
do Brasil:
IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça,
sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.
Você
pode ter as convicções que quiser, o que não pode é tratar os outros de forma
diferenciada, tratando-as mal por algo que você não goste.
Tal
garantia vale para a escolha sexual, assim já tendo decidido o STF: Proibição
de discriminação das pessoas em razão do sexo, seja no plano da dicotomia
homem/mulher (gênero), seja no plano da orientação sexual de cada qual deles ((ADI
4.277 e ADPF
132).
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer
natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a
inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à
propriedade, nos termos seguintes:
VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo
assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da
lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;
Vcê é adorador de qualquer deus ou quaisquer deuses? Você não
acredita em nada que seja religioso e em nenhuma criatura divina? Você é super
religioso, embasando todos os aspectos de sua vida em suas convicções
confessionais? Você é de tudo um pouco do que foi dito anteriormente,
como eu? Pois é, você pode assim agir e ninguém pode tratar-lhe mal por isso.
E se é garantida a liberdade religiosa, ninguém tem o direito de
achar que você está errado por professar qualquer religião. Faça suas escolhas
e permita que os demais façam as delas, mesmo que os dogmas de sua escolha
falem o contrário. O Estado brasileiro é laico, o que quer dizer que todas as
decisões do Estado devem ser tomadas com base na racionalidade, na busca do bem
comum, e não em escolhas determinadas por igrejas.
Art. 60, § 4º - Não será objeto de deliberação a proposta de emenda
tendente a abolir:
IV - os direitos e garantias individuais.
Já
ouviu falar de cláusulas pétreas da Constituição? Pois é, uma delas está acima.
A Constituição não pode ser alterada para restringir os direitos individuais
garantidos. E todos os direitos (Dignidade da pessoa humana, não discriminação
e liberdade de crença) acima são garantias individuais. Assim, o Estado
brasileiro não poderá alterar esses direitos (Por isso, são pétreas, fortes,
não podem ser mudadas).
Então,
fique sabendo este deputado que tenta passar no Senado a Emenda Constitucional
pra que o Brasil se declare Cristão, que se trata de um projeto
inconstitucional. Se o Congresso aprovar, o STF derruba!
Considerações
Finais:
Acredito
que essa tentativa de confessionar o Estado Brasileiro, retirando dele a
possibilidade de tomar decisões com base em escolhas racionais, éticas, etc, é
um atraso absurdo. Atraso este que o Deputado citado no início representa. É só
olhar para alguns Estados árabes que são declaradamente mulçumanos e o Estado
de Israel. Vive-se a ditadura da norma religiosa. E essa discussão, caríssimos,
se deu no ocidente ainda no século XV.
No
fundo, acho que as igrejas evangélicas e o catolicismo, dominantes no Brasil,
são formados por pessoas que não concordam com o referido congressista. Entretanto,
enquanto sobrevier esta ideia de que o Estado deve sobrestar às suas decisões
escolhas de fé estaremos caranguejeando.
É
um momento perigoso, a meu ver. Saúdo, entretanto, o Estado brasileiro por, democraticamente,
ter nos permitido que tivéssemos essa discussão.
domingo, 30 de dezembro de 2012
10 anos de PT no poder
Os anos FHC-PSDB controlavam a máquina mais habilmente, já que a própria máquina ainda não representava um governo popular. Além do evidente apoio da elite brasileira que controla a mídia. Afinal você alguma reportagem no Jornal nacional, Veja ou outro órgão jornalísito sobre a compra de votos na reeleição? Há que se buscar uma reformulação do PT, do ponto de vista dos acordos. Mas que prefiro mil vezes um governo popular, a uma social democracia voltada pro atendimento do neo-liberalismo e do Consenso de Washington - ah! - isso prefiro demais.
http://www1.folha.uol.com.br/poder/1208017-forte-na-politica-mas-desgastado-pt-faz-10-anos-no-poder.shtmlquarta-feira, 12 de setembro de 2012
Eu sonho muito mais
Pra que me sentar?
Ler?
Entender?
Eu sonho muito mais.
Pra que tentar?
Escrever?
Conseguir?
Eu sonho muito mais.
Vida que me fez parar.
Eu fiz.
Da vida e de mim, as causas.
Pra que sonhar?
Eu sonho muito mais,
Sentar, ler, entender.
Tentar, escrever, conseguir.
Eu posso, parado o sonho.
Ler?
Entender?
Eu sonho muito mais.
Pra que tentar?
Escrever?
Conseguir?
Eu sonho muito mais.
Vida que me fez parar.
Eu fiz.
Da vida e de mim, as causas.
Pra que sonhar?
Eu sonho muito mais,
Sentar, ler, entender.
Tentar, escrever, conseguir.
Eu posso, parado o sonho.
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
Pro pequeno Rick
Um dia ele chegou e o vi entrando em minha casa. Até então, só minha casa.
Entrava loiro, pequenino e de olhos azuis. Acabei por sentir-me de lado.
Mudamos e fomos ver o tempo passar na capital.
Foram tempos em que cobrava o amor só pra mim e deixei-me levar por lugares de sombra.
Vieram os anos e vi-lhe crescer. Ainda que o amasse e protegesse, ainda havia nuvens que entorpeciam-me.
Mais chuvas e trovoadas, mas nossa união fez fazer sol em minha vida.
Depois. Sim, o depois.
Construímos juntos um pedaço de nossa casa ao som de Serafim e seus filhos e fomos, enfim, amigos.
Mais tempo, mais coisas feitas juntos.
Até que um dia tivemos de levar nosso grande amor, la pícola madre, pra se tratar. Éramos, de novo, eu e ele.
Não mais deixei turvar meu espírito.
Vimos todos aqueles dias ruins, mas sempre estivemos lá, juntos.
E ela se foi. Mas, como que por sua força, ficamos cada vez mais próximos.
Um dia, convidado que fui, vi a chegada de sua pequena Sabedoria e pude, finalmente, abraçá-lo, ainda que o fizesse na figura de sua pequena Maria.
Resgatei aquele dia tão longe, em que chegava ele nesse mundo e ficamos juntos. Ele, pequenino, e eu, grandão, a vê-los. E, sorriso no rosto, chorei entre abraços e alegrias.
Agora, na ausência, meu pequeno Rick, vejo-o próximo em cada passo que dou. Abraço meu loirinho e vemos juntos os sóis e mundos que se nos apresentem.
Espero ser pra você, o exemplo que se tornou pra mim.
Admiração e, sem dúvida, orgulho por sua altivez e coragem fazem de mim mais um que gosta daquele pequeno menino que cresceu.
Mais uma história. Esta, pro meu little brother, Rick.
Entrava loiro, pequenino e de olhos azuis. Acabei por sentir-me de lado.
Mudamos e fomos ver o tempo passar na capital.
Foram tempos em que cobrava o amor só pra mim e deixei-me levar por lugares de sombra.
Vieram os anos e vi-lhe crescer. Ainda que o amasse e protegesse, ainda havia nuvens que entorpeciam-me.
Mais chuvas e trovoadas, mas nossa união fez fazer sol em minha vida.
Depois. Sim, o depois.
Construímos juntos um pedaço de nossa casa ao som de Serafim e seus filhos e fomos, enfim, amigos.
Mais tempo, mais coisas feitas juntos.
Até que um dia tivemos de levar nosso grande amor, la pícola madre, pra se tratar. Éramos, de novo, eu e ele.
Não mais deixei turvar meu espírito.
Vimos todos aqueles dias ruins, mas sempre estivemos lá, juntos.
E ela se foi. Mas, como que por sua força, ficamos cada vez mais próximos.
Um dia, convidado que fui, vi a chegada de sua pequena Sabedoria e pude, finalmente, abraçá-lo, ainda que o fizesse na figura de sua pequena Maria.
Resgatei aquele dia tão longe, em que chegava ele nesse mundo e ficamos juntos. Ele, pequenino, e eu, grandão, a vê-los. E, sorriso no rosto, chorei entre abraços e alegrias.
Agora, na ausência, meu pequeno Rick, vejo-o próximo em cada passo que dou. Abraço meu loirinho e vemos juntos os sóis e mundos que se nos apresentem.
Espero ser pra você, o exemplo que se tornou pra mim.
Admiração e, sem dúvida, orgulho por sua altivez e coragem fazem de mim mais um que gosta daquele pequeno menino que cresceu.
Mais uma história. Esta, pro meu little brother, Rick.
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
Tento
Aqui, agora, neste instante, em que meus olhos nos veem, minha alegria parece longe.
Reporto-me a vários lugares conhecidos e próximos, mas há parte de mim que vai mais longe, mais perto de toda a verdade. Não duvido de minhas memórias ou de meus sonhos, só deste lugar sóbrio e só, e muito mais lúcido.
E, assim, vou até todos meus sentimentos, afundo-me nesta vontade inesgotável de explicar-me. Se há algo dentro que possa salvar-me vou atrás e vejo, sinto e tento, por mais parado que esteja. Calculo-me, como já o fiz tantas vezes, mas só pra efeito de repetir, não mais de render-me.
Seus olhos, como os meus, não viajam mais tão perdido, mas absorto, na busca. E, enquanto não acho, vou-me, enuveado e certo. Sou parte de todos nós que se sentem tão diferentes dos demais. Sou o arqueiro que busca seus próprios alvos.
Não sorrio de novo, contudo sinto-me já tão mais resignado. Enquanto o sono não vem, durmo em mim esta vontade. Amanhã procuro de novo. E mais uma vez, e sempre. Vamos, que há muito mais por escrever. Tocaremos o que procuramos, juntos.
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